Untitled Document
|
CONTROLE ANTIDOPING NO BRASIL: RESULTADOS
DO ANO DE 2003 E ATIVIDADES DE PREVENÇÃO
Eduardo Henrique De Rose
Departamento Médico, Comitê Olímpico Brasileiro
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Francisco Radler de Aquino Neto
LADETEC, LABDOP, Instituto de Química, UFRJ
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Regina Lúcia de Moraes Moreau
Laboratório de Análises Toxicológicas, Faculdade
de Ciências Farmacêuticas, USP
São Paulo, SP, Brasil
Renata Rodrigues Teixeira de Castro
Laboratório de Ciências do Exercício, Departamento
de Fisiologia e Farmacologia, UFF.
Niterói, RJ, Brasil
Autor para correspondência:
Prof. Dr. Eduardo Henrique De Rose
Rua Felipe Becker, 95
Porto Alegre - RS
CEP: 91330-250
E-mail: ehderose@terra.com.br
RESUMO
O presente estudo apresenta os números relativos ao controle
de doping em nosso país, em competição e fora
de competição do ano de 2003, e considera as ações
preventivas desenvolvidas. Todos os controles foram feitos de acordo
com as técnicas e procedimentos orientados pela Agência
Mundial Antidoping (AMA), sendo então realizada uma estatística
descritiva dos mesmos.
Os resultados mostram 3.797 exames realizados, sendo 3.266 controles
em competição e 531 fora de competição,
com caráter de surpresa. A maior parte dos controles em competição
(92,1%) e fora dela (92,4%) foi realizada pelo LAB DOP, da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O futebol profissional foi responsável
por grande parte pelos controles em competição 2.975
(91,1%), apresentando oito positivos e um percentual baixo de 0.27%,
quando comparado com dados da literatura internacional.
A grande maioria dos controles fora de competição
foi realizada pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB),
durante a preparação de nossos atletas para os XIV
Jogos Pan-americanos, na República Dominicana (92,4%). Foram
encontrados 19 exames positivos nos controles em competição,
e seis exames fora de competição, dentre os quais
dois atletas de eqüestre que se negaram a ceder uma amostra
biológica.
O percentual encontrado em competição (0,5%) é
menor do que o descrito internacionalmente, que é de 1,80,
com exceção da luta de braço (30%), do tênis
de mesa paraolímpico (10%), do atletismo (6,1%) e do ciclismo
(4,6%). Nos exames fora de competição, foi observada
uma incidência maior do que a descrita internacionalmente
no fisioculturismo (50%), em eqüestre (22,2%), no box (7,6%).
Na natação (2,5%) e no atletismo (1,8%), estão
um pouco elevados e a média encontrada (1,1%) pode ser descrita
como estando acima da média internacional (0,9%). O trabalho
de prevenção do COB, da Confederação
Brasileira de Futebol (CBF) e do LAB DOP da UFRJ são referidos
no presente artigo, juntamente com a nova legislação
antidoping proposta pelo Ministério do Esporte.
INTRODUÇÃO
Casos de doping vêm se tornando cada vez mais freqüentes
em nosso país e no mundo. Ciente sobre este problema, a Agência
Mundial Antidoping (AMA) vem realizando importante trabalho na conscientização
e controle de atletas de elite, com publicação anual
de relatórios a respeito do controle antidoping realizado
a nível internacional (1). Apesar disso, a literatura sôbre
antidoping no Brasil não é extensa. Aquino Neto (2)
discutiu a importância do atleta na sociedade brasileira e
do controle de dopagem no esporte e Bento e co-autores (3) estudaram
a eritropoietina recombinante no esporte. Castro e co-autores (4)
analisaram a validade da análise da variável tempo
no conhecimento dos atletas nacionais sobre doping, enquanto Damasceno
e co-autores (5) dissertaram recentemente sobre os controles positivos
dos VII Jogos Sul-americanos. Da Silva e co-autores (6) revisaram
o uso dos esteroides anabolizantes no esporte e De Rose e Nóbrega
(7) escreveram um capítulo de revisão sobre esta temática.
Pereira e colaboradores (8) mencionam uma contaminação
por clostebol após um intercurso sexual e, em outro artigo
(9), discutem sobre o controle de anabolizantes.
Estudando 2.219 alunos da rede de escolar do ensino fundamental
e médio do município de São Caetano do Sul,
Carreira Filho (10) refere em sua tese de doutorado que 12,8% dos
adolescentes de ambos os sexos usam ou já usaram substâncias
químicas visando alterar o peso corporal, principalmente
anabólico esteróides. As estatísticas nacionais
sobre o uso de anabolizantes em academias, apesar de não
serem numerosas, indicam claramente um problema de saúde
pública, pois mostram números em torno de 95%, conforme
a publicação de Da Silva e Czepielewski (11) em um
estudo piloto realizado em academias da cidade de Porto Alegre,
embora os autores tenham privilegiado praticantes de musculação
no projeto piloto de uma dissertação de mestrado.
Silva e Moreau (12), usando o processo de questionário, encontraram
esteróides em 19% dos frequentadores de grandes academias
na cidade de São Paulo.
A justificativa para este pequeno número de trabalhos reside,
provavelmente, na independência dos programas de controle
antidoping realizados pelas confederações desportivas
e pelos Comitês Olímpico (COB) e Paraolímpico
(CPB). Sendo assim, torna-se difícil a compreensão
global das ações antidoping implementadas em nosso
país.
Com o objetivo de unificar as políticas de controle antidoping
à nível nacional e internacional, representantes de
diferentes governos, incluindo o brasileiro, reuniram-se conjuntamente
com o movimento olímpico em 2003, na capital da Dinamarca,
e assinaram a Declaração de Copenhague, aprovando
o Código Mundial Antidoping (13). Nesta oportunidade, tanto
autoridades públicas quanto o movimento olímpico concordaram
em seguir as determinações de um mesmo código,
que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2004 (14).
O principal objetivo deste código foi definir o uso de doping
como a possibilidade de aumentar artificialmente o desempenho, ser
contrário à saúde do atleta ou ser antagônico
aos princípios do jogo limpo, que são aí definidos.
Quando duas desta três situações ocorrem, existe
dopagem. Como o Código Mundial Antidoping exige a implementação
de ações específicas, que demandam organização
e custos elevados, existe um prazo para seu cumprimento.
Desta forma, o movimento olímpico, incluíndo as organizações
esportivas, devem se ajustar às novas regras de controle
antidoping até o início dos Jogos Olímpicos
de Atenas, na Grécia (2004), enquanto que as autoridades
públicas devem fazê-lo até o início dos
Jogos de Inverno de Torino, na Itália (2006).
A luta contra a dopagem compreende, idealmente, não só
a programação de controles antidoping durante e fora
de competições esportivas, mas especialmente uma conscientização
e orientação dos atletas a respeito desta importante
temática, bem como de um processo de julgamento no tempo
e na forma adequada dos atletas quando ocorre um resultado analítico
adverso no laboratório.
No que diz respeito aos projetos que visam esclarecer aos atletas
a respeito de doping e antidoping, o COB produz anualmente, desde
2001, um manual sobre "Uso de medicamentos no esporte"
onde constam, além de um histórico de doping e dos
direitos e deveres dos atletas, o nome das substâncias e métodos
proibido pela AMA no esporte, e também uma listagem atualizada
com o nome comercial dos medicamentos que podem ser utilizados em
diferentes situações clínicas (15).
Este manual foi distribuído a todos os esportistas que participaram
dos Jogos Pan-Americanos no ano passado, e será entregue
também aos atletas que irão incorporar-se à
delegação brasileira para Atenas neste ano, além
de estar integralmente na página eletrônica do COB,
em www.cob.org.br.
Em caráter preventivo e de formação, toda
a delegação brasileira que sai do país para
competir internacionalmente é testada pelo COB desde 1995,
ano dos Jogos Pan-americanos de Mar del Plata, Argentina.
O governo brasilero, por sua vez, recriou no ano de 2002 o Conselho
Nacional do Esporte (CNE). O Conselho foi reestruturado em 2003,
ano em que se estabelece a Comissão de Combate ao Doping,
no Ministério do Esporte (16). Esta Comissão realizou
a primeira estatístics sobre controles antidoping no país
e está propondo ao CNE a edição de uma Resolução
Antidoping mais adequada e de acordo com a legislação
internacional, em substituição à Portaria 531
de 10 de julho de 1985.
Deve-se ponderar ainda que o doping, além de ser proibido
pela legislação esportiva nacional e internacional,
também o é pelo Código de Ética Médica,
em medicina (17) e medicina do esporte (18).
Considerando o limitado número de publicações
que dissertam sobre o controle de doping e a política brasileira
a esse respeito, pensamos realizar este estudo. O objetivo deste
trabalho foi descrever o controle antidoping realizado em nosso
país durante o ano de 2003, comparando-os com dados disponíveis
na literatura internacional, bem como dissertar sobre as atividades
nacionais de prevenção.
Este estudo provê ainda dados para comparações
futuras que analisarão os progressos alcançados no
controle antidoping efetuados em nosso país, após
a implementação do Código Mundial Antidoping
e da nova legislação da Comissão de Combate
ao Doping, servindo como base de dados para as autoridades governamentais,
esportivas, olímpicas e paraolímpicas de nosso país.
MÉTODO
Para este estudo, consultamos os dois únicos laboratórios
de controle antidoping do nosso país: o Laboratório
de Controle de Dopagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro,
credenciado desde 2002 pelo Comitê Olímpico Internacional
(COI), e o Laboratório de Análises Toxicológicas
da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade
de São Paulo.
A Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos
(CBDA) e a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt)
apresentam também programas de controle antidoping dentro
e fora de competição, que eventualmente incluem controle
de eritropoietina (EPO) que, por não ser detectada no Brasil,
é estudada fora de nosso país, em laboratórios
internacionais credenciados pelo COI, como o INRS Santé,
de Montreal, Canadá e Laboratoire National de Depistage du
Dopage, de Paris, França (3).
A International Doping Test & Management (IDTM) também
realiza controles fora de competição em nosso país
para a AMA e para as Federações Internacionais de
Atletismo, Desportos Aquáticos (Natação, Nado
Sincronizado e Saltos Ornamentais), Tiro com Arco, e Triatlon, assim
como para a ATP, em competições de tênis masculino,
enviando os controles para o laboratório do INRS de Montreal,
Canadá.
Este estudo consiste, assim, em uma análise retrospectiva
dos controles antidoping realizado no Brasil pelos dois laboratórios
nacionais e pelos laboratórios de Montreal e Paris. Para
tanto, solicitamos também aos chefes dos respectivos laboratórios
que nos informassem o número de exames realizados no Brasil,
seus respectivos esportes, a situação de coleta (se
em competição ou fora dela), e os resultados obtidos.
Todos os exames incluídos neste estudo foram feitos em conformidade
com as exigências explicitadas pela legislação
brasileira e internacional vigente, e expressas basicamente no Código
Mundial Antidoping.
Uma amostra de urina de no mínimo 75 ml, depois de cedida
pelo atleta, é dividida em duas partes em sua coleta, sendo
colocada em dois frascos distintos, rotulados com um número
idêntico e as letras A e B, com 2/3 e 1/3 do volume total
de urina, respectivamente. Esta amostra é então enviada
por meio de um correio seguro ao laboratório para ser analisada.
A primeira delas, com cerca de 50 ml ou mais, é estudada
inicialmente pelo laboratório. Designada pela letra A, a
amostra é dividida em sete partes, sendo submetida à
cromatografia gasosa, espectrometria de massas e ensaios imunológicos
para hormônios peptídicos. O resultado é então
informado, de forma sigilosa, às autoridades esportivas que
solicitaram o exame (19).
Caso seja encontrada a presença de uma substância
ou método proibido, ou de seus marcadores ou metabólitos,
o atleta é informado, por meio de sua entidade, e expressa
então o direito de utilizar-se, ou não, da segunda
parte da amostra, designada pela letra B, com 25 ml ou mais. Em
caso afirmativo, a amostra B será analisada pela mesma técnica,
na presença do atleta ou de seus representantes, bem como
de sua Federação Internacional. Um resultado é
considerado analiticamente adverso quando o atleta abdicar do direito
de análise da amostra B ou quando esta análise também
revelar a presença de substância ou método proibidos
ou seus metabólitos e marcadores (19).
É importante lembrar que a análise laboratorial realizada
em competição é mais completa do que aquela
realizada nos controles fora de competição. Enquanto
a análise em competição pesquisa todas as substâncias
e métodos proibidos, os controles fora de competição
compreendem apenas a pesquisa de anabolizantes, diuréticos
e hormônios peptídicos, além dos métodos
proibidos. Em seus controles fora de competição, o
COB inclui a benzoillecgonina (cocaína) e o THC (cannabis),
devido à freqüência destas substâncias e
à importância da imagem dos atletas.
Vale ressaltar que a identidade do atleta não é
informada ao laboratório quando a urina é enviada
para análise. Sendo assim, o presente estudo não fere
o anonimato do atleta e, por ser retrospectivo, não indica
a necessidade de assinatura do termo de consentimento informado.
Por outro lado, a grande maioria dos formulários de controle
antidoping possuem um item dando a conhecer aos atletas sobre a
possibilidade de uso dos resultados para fins de pesquisa, desde
que preservada a sua identidade.
A análise dos dados obtidos foi realizada neste estudo
através de estatística descritiva, incluíndo
número total e percentual de controles, e especificando-se
o esporte, percentual de positividade e o tipo de substância
proibida encontrada.
No que tange à descrição dos programas educacionais
voltados para os atletas a respeito do tema controle do doping,
descreveremos aqui a experiência de alguns dos autores deste
trabalho, adquirida ao longo de suas participações
em comissões médicas do COI, da Organizacão
Desportiva Pan-americana (ODEPA), do COB e de confederações
desportivas nacionais.
RESULTADOS
Em 2003 foram realizados 3.797 controles antidoping, sendo 3.266
em competições nacionais e 531 fora delas, sem aviso
prévio. A grande maioria dos exames em competição
foi feita em partidas oficias de futebol profissional, 2.975 controles,
em um percentual de 91,1% do total de exames. Este esporte foi o
que apresentou o maior número de exames positivos (n=8),
com um percentual de positividade de 0,27%.
Proporcionalmente ao número de exames realizados, a luta
de braço apresentou maior número de resultados positivos
(30%), com o tênis de mesa paraolímpico (10%), o atletismo
(6,1%) e o ciclismo (4,1%) apresentando um percentual igualmente
elevado. O total de exames positivos foi 19 e a média de
positividade encontrada foi de 0,58%.
Os resultados obtidos para os exames realizados durante a competição
estão expressos na Tabela I, com o número total, percentual,
número de positivos e percentual de positividade.

As substâncias proibidas encontradas nestes
exames são apresentadas na Tabela II, classificadas por esporte.
Em 2003 foram realizados os XIV Jogos Pan-Americanos em Santo Domingo,
República Dominicana. A preparação de nossos
atletas envolveu a realização de controles antidoping
fora de competição, feitos de forma supressiva em
quase que a totalidade dos atletas classificados para este evento.
Dentre toda a delegação brasileira, apenas alguns
atletas residentes no exterior ou aqueles classificados às
vésperas do início dos Jogos, como foi o caso da seleção
masculina de basquete, não foram submetidos ao controle antidoping.
Ademais, alguns atletas foram estudados fora de competição
por suas federações nacionais e internacionais. Os
dados relativos a estes controles, além de outros controles
fora de competição estão expressos na Tabela
III, com seu total, percentuais, positivos e percentuais de positividade.

As substâncias proibidas encontradas nestes exames são
apresentadas na Tabela IV, classificadas por esporte.

Os dois casos de eqüestre foram considerados positivos porque
os cavaleiros negaram-se a fazer o exame de dopagem, razão
pela qual listamos apenas as substancias encontradas em quatro dos
casos.
Foram também detectados pelo LAB DOP, nos exames fora de
competição, cinco resultados analíticos adversos
que não resultaram em controles positivos, por terem sido
devidamente justificados pelos atletas: um caso de salbutamol, para
tratamento de asma, e dois casos de diuréticos, para tratamento
de hipertensão em esportes que não possuem categoria
de peso. Na canoagem ocorreram ainda dois casos de resultados analíticos
adversos de Testosterona/Epitestosterona (T/E), que não foram
confirmados, como indica a regra, por controles clínicos
e laboratoriais posteriores.
DISCUSSÃO
O número total de exames realizados parece ser aparentemente
superior ao de 2002, embora não haja publicação
a respeito. Tal fato, baseado na percepção dos autores,
deve-se em grande parte à realização de controles
fora de competição da delegação brasileira
que participou dos XIV Jogos Pan-Americanos em 2003.
Nos exames realizados em competição, evidencia-se
uma quase dependência do futebol profissional, que realizou
a maioria dos exames (91,1% dos controles), num total de 2.975 exames
feitos, com uma positividade de 0,27%, bem abaixo do percentual
internacional, que gira em torno de 0,45%, em competições
desta modalidade. Este percentual se refere ao ano de 2002, sendo
analisados 131.373 controles, em 26 laboratórios internacionais
(20). Outras publicações existentes na literatura
internacional indicam percentuais mais elevados, ainda que com uma
casuística muito menor (21) (22) (23).
O percentual médio de positivos dos controles em competição
foi baixo, se comparado à literatura internacional, sendo
apenas de 0,58% contra 1,80 em média. Já o percentual
de positivos dos controles fora de competição pode
ser considerado discretamente elevado, se considerarmos os dados
obtidos pelo COI, que situa este percentual em 0,90 %.

Fisiculturismo, eqüestre, box, natação e atletismo
apresentaram percentuais superiores à média, ocasionados
eventualmente por um número muito pequeno de controles realizados.
As substâncias encontradas nos exames em competição
foram em sua maioria agentes anabólicos (anabólicos
esteróides) (n=8), sendo as demais: estimulantes (n=6), diuréticos
(n=2), hormônios peptídicos (n=1), canabinóides
(n=1) e narcóticos (n=1).
As drogas consideradas de "uso social" cujos metabólitos,
devido às técnicas modernas de detecção,
podem ser observados após mais de uma semana pela análise
da urina do atleta, e que são também banidas pela
legislação cível brasileira, como a benzoilecgonina
(cocaína) e o THC (cannabis), perfizeram quase que a terça
parte das drogas encontrada em competição. Neste sentido,
chama atenção o fato de o único caso positivo
no fisiculturismo não ter sido pelo uso de anabolizante,
que sabidamente melhora artificialmente a performance nesta modalidade,
mas sim pelo uso de THC, o que evidencia mais uma vez o problema
do uso de "drogas sociais" pelos atletas.
Desde 2002, o Brasil possui a tecnologia para a detecção
da eritropoietina (EPO) na urina, na área de toma de amostra,
embora seja feita uma triagem a partir de exames de sangue (hematócrito,
hemoglobina e reticulócitos), de acordo com as normas da
IAAF. Até o momento, os autores têm conhecimento de
dois casos positivos para o uso desta substância, ambos controlados
pela CBAt em corridas de rua.
No ano de 2002 foram realizados os Jogos Sul-americanos, em quatro
capitais do nosso país, e foram encontrados nove resultados
positivos (3,3 %), sendo três deles em atletas brasileiros,
fato que teve grande repercussão na mídia e que deve
ter influenciado o baixo número encontrado em 2003 (5).
Os exames fora de competição foram realizados, em
sua quase totalidade, pelo Comitê Olímpico Brasileiro
(92,4%). Embora o valor médio de positivos tenha sido de
1,1%, aqueles encontrados em fisoculturismo (50%), eqüestre
(22,2%), box (7,6%) e natação (2,5%) foram mais altos
do que a referência internacional. Nos exames fora de competição
foram encontrados agentes anabólicos (anabólicos esteróides)
(n=3) e canabinóides (n=1). Certamente, o pequeno número
de testes em alguns esportes gerou uns percentuais muito altos de
positividade, que influi no percentual final.
Cabe ressaltar que nenhum atleta brasileiro foi positivo em Jogos
Pan-americanos ou em Jogos Olímpicos, em virtude do excelente
trabalho de prevenção desenvolvido pela equipe médica
do COB.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), por sua
vez, reúne a cada dois anos seus médicos controladores
de doping e os médicos das equipes profissionais de futebol
no Rio de Janeiro para falar sobre a prevenção da
dopagem, enquanto o LAB DOP da UFRJ realiza freqüentemente
conferências sobre o tema com Federações e Confederações
nacionais.
O Ministério do Esporte, através do Conselho Nacional
do Esporte (CNE) e da Comissão de Combate ao Doping (CCD)
vem atualizando a legislação brasileira, buscando
torná-la compatível com o Código Antidoping
da AMA.
Um significativo percentual dos exames em em competição
em nosso meio, equivalente a 92,1%, é realizado no LAB DOP
do Instituto de Química da UFRJ, que é único
laboratório reconhecido no Brasil pela AMA. Os demais são
realizados no Laboratório de Toxicologia da USP, em São
Paulo (5,3%), ou no exterior, no INRS dm Montreal, Canadá
(2,4%) e no LDD em Paris, França (0,1%).

Os exames fora de competição são realizados
em sua quase totalidade no LAB DOP (92,4%), sendo o restante feito
no INRS de Montreal, Canadá (7,5%).
CONCLUSÃO
A maior parte dos exames antidoping nacional realizado em competição
são solicitados pelo futebol profissional. Já os exames
fora de competição são realizados em sua grande
maioria pelo Comitê Olímpico Brasileiro. Os controles
em competição mostram um percentual de positividade
baixo, enquanto que os controles fora de competição
evidenciam um percentual médio discretamente elevado, considerando-se
a literatura internacional.
O LAB DOP do Instituto de Química da UFRJ realiza a grande
maioria dos exames em nosso meio, sendo os demais feitos pela USP,
por Montreal e por Paris. Considerando-se que, de acordo com a estatística
mencionada, os principais laboratórios antidoping internacionais
realizam uma média de 8.000 exames por ano, o nosso país
ainda pode crescer significativamente nesta área de fundamental
importância para um esporte ético.
O uso de anabólicos parece ser uma prática que se
inicia nas escolas secudárias, seguindo-se pelas academias
de musculação e se refletindo, por último,
no esporte profissional, ainda que em percentagem inferior à
realidade internacional.
Graças às atividades de prevenção do
Ministério do Esporte, do COB, da CBF e do LAB DOP da UFRJ,
os atletas brasileiros não têm apresentado controle
antidoping positivos para substâncias e métodos proibidos
nos Jogos Pan-americanos e nos Jogos Olímpicos.
REFERÊNCIAS BIBIOGRÁFICAS
1. WADA-AMA. World Anti-Doping Agency. Annual Report, 2002. WADA,
Montreal, 2002.
2. Aquino Neto, FR. O papel do atleta na sociedade e o controle
de dopagem no esporte. Rev Bras Med Esporte 2001; 8:138-48.
3. Bento RMA; Damasceno LPM; Aquino Neto, FR Recombinant human erythropoietin
in sports: a rewiev. Rev. Bras. Med. Esporte 2003; 9:181-190.
4. Castro RRT, Ramalho SHR, De Rose EH, Nóbrega ACL. Conhecimento
de atletas de esportes olímpicos sobre controle antidoping:
o tempo de participação do esporte nos jogos olímpicos
faz diferença? Rev Bras Med Esporte 2003; 9: S13.
5. Damasceno, LMP; Bento, RMA; Gomes, LNL; Marques, MAS; Ramos,
SB; Souza, ANB; Aquino Neto, FR Doping Control during the VII South
American Games in Brazil. In: Schaenzer,W; Geyer, H; Gotzman, A;
Marek, U, editors. Recent Advances in Doping Analysis. Colonia,
Strauss, 2003;377-82.
6. Da Silva, PRP; Danielsky, R.; Czepielewsky, M. Esteróides
Anabolizantes no Esporte. Revr. Bras. Med. Esporte 2002;8:1-9.
7. De Rose, EH Nobrega ACL O doping na atividade esportiva. In:
Pace Lasmar, N; Camanho, G; Pace Lasmar, RC, editors. Medicina do
Esporte. Editora Revinter, Rio de Janeiro, 2002: 31-46.
8. Pereira, H.M.G.; Marques, M.A.S.; Aquino Neto, F.R. Incidental
clostebol contamination in athletes after sexual intercourse. Clinical
Chemistry 2004;50:456-457.
9. Pereira, HMG; Marques, MAS; Aquino Neto, FR Controle de dopagem
de anabolizantes. Parte 1: o perfil esteroidal e suas aplicações.
Rev. Bras. Med. Esporte 2003;9:15-24.
10. Carreira Filho, D Relevância do uso de substâncias
químicas, com finalidade de alteração corporal,
entre adolescentes de ambos os sexos, regularmente matriculados
e freqüentes na rede escolar do Município de São
Caetano do Sul-SP-Brasil. Tese de doutorado. Faculdade de Ciências
Médicas. Universidade de Campinas, São Paulo. 2004.
11. Da Silva, PRP; Czepielewski, M Uso de Agentes Esteróides
Anabólicos, Estimulantes, Diuréticos, Insulina e GH
em Amostra de Praticantes de Musculação de Porto Alegre.
Rev. Bras. de Toxicologia 2001;71:14 (Supl.).
12. Silva LSMF, Moreau RLM - Uso de esteróides anabólicos
androgênicos por praticantes de musculação de
grandes academias da cidade de São Paulo. Revista Brasileira
de Ciências Farmacêuticas 2003;39: 327-333.
13. WADA-AMA. Copenhagen declaration on anti-doping in sport. WADA,
Montreal, 2003.
14. WADA-AMA. World Anti-Doping Code. (Version 3). WADA, Montreal,
2003
15. De Rose, EHR; Feder, MG; Bento, RMA; Aquino Neto, FR Informações
sobre o uso de medicamentos no esporte. COB, Rio de Janeiro, 2004.
16. Diário Oficial da União. Poder Executivo. Ministério
do Esporte. Gabinete do Ministro: Portaria 101 de 29 de julho de
2003. N 150, pág. 54, agosto 2003.
17. Conselho Federal de Medicina. Código de ética
médica - Resolução CFM 1246/88. Governo Federal
- Diário Oficial da União, 08 janeiro de 1988.
18. Federação Internacional de Medicina do Esporte.
Code of ethics in Sports Medicine. FIMS Directory. FIMS, Porto Alegre,
1999.
19. WADA. International Standard for testing. (Version 3.0). WADA,
Montreal, 2003.
20. International Olympic Committee. Statistics of the accredited
laboratories. COI, Lausanne, 2002.
21. Jeschke, J, Nekola J, Chlumsky Doping in sports. Cas Lek Cesk
1999; 138:291-7.
22. Bahr R, Tjornhom M Prevalence of doping in sports: doping control
in Norway 1977-1995. Clin J Sport Med 1998; 8:32-7.
23. Epstein S, Eliakim Ab Drug testing in elite athletes - The Israeli
perspective. Isr Med Assoc J 1999;1:79-82.
Voltar para o topo
PREVALÊNCIA DO USO DE
SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS, COM FINALIDADE DE ALTERAÇÃO CORPORAL, ENTRE
ADOLESCENTES DE AMBOS OS SEXOS (14 a 18 anos de idade), REGULARMENTE
MATRICULADOS E FREQÜENTES NA REDE ESCOLAR DO MUNICÍPIO DE SÃO CAETANO
DO SUL – SP – BRASIL.
Pesquisdador:Daniel Carreira Filho
Orientador: Professor Doutor José Martins Filho
PROJETO DE TESE DE DOUTORADO UNIVERSIDADE
ESTADUAL DE CAMPINAS FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS
DADOS PRELIMINARES – JANEIRO DE 2004
Distribuição dos sujeitos da pesquisa em função de
sexo, série escolar e totais
#FFE79D
Dados preliminares relativos à coleta de dados
realizada nos meses de setembro, outubro e novembro de 2003. As
11 escolas restantes serão investigadas no mês de fevereiro
de 2004, segundo cronograma de pesquisa.
Distribuição dos sujeitos da pesquisa em função
do sexo, praticantes e não praticantes de atividades esportivas
ou físicas fora do ambiente escolar e totais.
|
Sexo
|
7 série
|
8 série
|
1 série
|
2 série
|
3 série
|
Totais
|
|
Masc
|
52
|
85
|
144
|
121
|
72
|
664
|
|
Fem
Total
|
67
119
|
164
249
|
185
329
|
151
272
|
137
209
|
704
1368
|
|
Masc
|
78
|
96
|
198
|
171
|
121
|
474
|
|
Fem
|
67
|
63
|
97
|
98
|
52
|
377
|
|
Total
|
145
|
159
|
295
|
269
|
172
|
851
|
A COR VERMELHA REPRESENTA OS TOTAIS DE NÃO PRATICANTES
A COR AZUL REPRESENTA OS TOTAIS DE PRATICANTES
Prof. Daniel Carreira Filho

Distribuição dos sujeitos da pesquisa em função do sexo, desejo
de alteração corporal (1= não alteraria nada, 2= emagrecer, 3= aumentar
o peso, 4= aumentar a força, 5= aumentar a massa (sarado), 6= melhorar
a silhueta, 7 outros, 8 não declarado) e totais
|
Sexo
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
6
|
7
|
8
|
|
Masc
|
178
|
220
|
95
|
181
|
356
|
50
|
40
|
18
|
|
Fem
|
181
|
514
|
82
|
47
|
55
|
148
|
44
|
10
|
|
Total
|
359
|
734
|
177
|
228
|
411
|
198
|
84
|
28
|
Distribuição dos sujeitos da pesquisa por sexo e utilização de substâncias
químicas com finalidade de alteração corporal (1= nunca, 2= uma vez,
3= duas ou três vezes, 4= quatro ou mais vezes, 5= estou usando e
SR= sem resposta) e totais
|
1Sexo
|
2
|
3
|
4
|
5
|
SR
|
|
1009Mas
|
65
|
16
|
14
|
24
|
10
|
|
908Fem
|
87
|
25
|
28
|
27
|
6
|
|
1917 Totais
|
152
|
41
|
42
|
51
|
16
|
Distribuição dos sujeitos da pesquisa em função do sexo, não usuários
de substâncias e usuários independente do nível exposto na questão
anterior,porcentagens e totais.
|
Sexo
|
Não usuário
|
%
|
Usuário
|
%
|
SR
|
%
|
|
Mas
|
1009
|
88,66
|
119
|
10 10,45
|
|
0,87
|
|
Fem
|
908
|
83,89
|
167
|
15,44
|
6
|
0,55
|
|
Total
|
1909
|
86,02
|
286
|
16 12,88
|
|
0,72
|
Distribuição das alternativas para a alteração corporal (MET = métodos
para perder peso, REM= remédios para perder peso, EAA = Esteróides
anabólicos e EST = drogas para estética) em função do sexo, porcentagens
e totais.
|
Sexo
|
MET
|
REM
|
EAA
|
EST
|
|
MAS
|
509
|
84
|
43
|
38
|
|
%
|
44,72
|
7,38
|
3,77
|
3,33
|
|
FEM
|
824
|
164
|
10
|
36
|
|
%
|
72,22
|
15,17
|
0,92
|
3,33
|
|
TOTAL
|
1333
|
248
|
53
|
74
|
|
%
|
60,07
|
11,17
|
2,38
|
3,33
|
Distribuição dos usuários de EAA em função do sexo e da duração,
em minutos, das práticas esportivas ou físicas fora do seio da escola.
|
Sexo
|
Pratica
|
%
|
Não pratica
|
%
|
Total
|
%
|
|
Masc
|
28
|
65,11
|
15
|
34,89
|
43
|
81,13
|
|
Fem
|
5
|
50
|
5
|
50
|
10
|
18,87
|
|
Total
|
33
|
62,26
|
20
|
37,74
|
53
|
100
|
Distribuição dos usuários de EAA por sexo e a existência e ausência
de atividades físicas ou esportivas além da escola, porcentagens
e totais.
|
Sexo
|
30’
|
60’
|
90’
|
120’
|
+120’
|
Total
|
|
Masc
|
1
|
6
|
3
|
14
|
4
|
28
|
|
Fem
|
1
|
2
|
1
|
0
|
1
|
5
|
|
Total
|
2
|
8
|
4
|
14
|
5
|
33
|
Distribuição dos usuários de EAA e praticantes de atividades esportivas
ou físicas além do seio da escola em função do sexo, e objetivo
da prática (Sim = competição, Não = Não competitiva e NS = Não sabe)
e totais.
|
Sexo
|
Sim
|
Não
|
NS
|
|
Masc
|
14
|
13
|
1
|
|
Fem
|
2
|
3
|
0
|
|
Totais
|
16
|
16
|
1
|
Distribuição dos usuários de EAA praticantes de atividades esportivas
ou físicas fora do seio da escola em função do sexo e o número de
dias de prática na semana (1 = uma vez, 2= das vezes, 3= três vezes,
4= 4 vezes e 5= mais de 4 vezes por semana) e totais.
|
Sexo
|
1
|
2
|
3
|
4
|
5
|
|
Masc
|
6
|
8
|
0
|
2
|
12
|
|
Fem
|
1
|
1
|
2
|
0
|
1
|
|
Totais
|
7
|
9
|
2
|
2
|
13
|
Voltar para o topo
|