Untitled Document
|

O
Ópio, um látex obtido pelo corte dos bulbos da Papoula
somniferum era conhecido pelos sumérios no ano 3000 a.C.
Na China, por volta de 2737 a.C. já se conheciam algumas
plantas cuja mastigação, ou uso de extratos ou infusões,
produziam efeitos estimulantes: a efedra (efedrina), a machuang
(alcalóide) e a mandragora (afrodisíaca com sabor
e cheiro desagradáveis). Os árabes, em 1000 a.C. conheciam
a maconha (cannabis.), o haxixe (dez vezes mais forte que a cannabis),
a catina ( da qual, hoje se extrai a dextronorisoefedrina) e o ginseng
( uma amina que era usada para estimular os guerreiros). Na antiga
Grécia, em 300 a.C. nos Jogos Olímpicos Antigos, os
corredores de longa distância usavam uma cocção
de plantas que tinha como principal produto um alucinógeno
extraído de cogumelos. Para o pensamento da época,
era para evitar o surgimento do "baço grande e duro".
Em alguns atletas era feita até a retirada do baço
(esplenectomia). Em outros, fazia-se uma cauterização
com ferro em brasa. É dessa época a primeira notícia
de uma espécie de regulamentação olímpica
em que se proibia qualquer prática mutilante, como a esplenectomia
ou a cauterização em atletas. Na mitologia nórdica,
os lendários berseks ou berserkers, usavam a bufoteína,
uma droga estimulante extraída de um certo tipo de fungo.
Na África, os nativos já usavam a "cola acuminata"e
a "cola nitida" como estimulantes nas marchas e nas corridas.
Nessa época, o ópio já estava sendo muito
usado na Grécia e na Ásia. Ele teve uma grande divulgação
entre os árabes porque o Alcorão (livro muçulmano
sagrado) proibia o uso do álcool, mas não citava o
ópio. Na Ilíada, poema de Homero, a encantadora Helena,
nas festas oferecia aos amigos uma poção milagrosa
que curava certas dores e doenças além de produzir
sonhos maravilhosos. Provavelmente, era ópio. Na China, as
mães embalavam seus filhos num ambiente com fumaça
da fervura do ópio para que seus filhos parassem de chorar
e adormecessem. Na Turquia, os médicos presenteavam as pessoas
mais influentes do reino com formulações que continham
opiáceos. Em todas as batalhas desse período, era
comum os guerreiros usarem opiáceos para diminuir a dor dos
ferimentos e aumentar a coragem para a batalha.
Um pouco antes de Cristo, na antiga Roma, os tratadores de cavalos,
usavam o chamado hidromel, uma mistura de água, mel e aveia
que eles imaginavam melhorar a forma física dos animais usados
nas provas esportivas. Na verdade, antecipando-se aos primeiros
conhecimentos de fisiologia, eles hidratavam e aumentavam o suporte
de glicose e proteína nos cavalos. Para mostrar ao povo o
rigor das leis ou ter a desculpa perfeita para algumas derrotas
frente aos gregos, o Senado Romano punia com a crucificação
o tratador de cavalos que usasse o hidromel.
Numa análise mais crítica, fica a desconfiança
de que os atletas gregos quando subiam o monte Olimpo para buscar
inspiração e proteção de Zeus, ficavam
ali por dois ou três dias, usando alucinógenos para
aumentar a coragem e a audácia para as competições.
Na América do Sul, a coca mascada era usada para aumentar
o desempenho, diminuir o cansaço e amenizar a fome nos trabalhos
forçados e nas longas marchas. Depois, a folha de coca passou
a ter o domínio da nobreza e dos sacerdotes, com caráter
divino, mas como se confirmou que ela diminuía a fadiga,
passou a ser ofertada aos "mensageiros" a chamada "cocada",
uma bola de folhas de coca misturada com calcário. Com o
calcário, o efeito era amenizado porque ele alcanizava o
ambiente gástrico impedindo a rápida degradação
da cocaína pela saliva e pelo suco gástrico. Os índios
escondiam algumas plantas nativas de coca porque já estavam
dependentes de seus efeitos. Quando o espanhol Francisco Pizarro
começou as primeiras conquistas na região em 1532,
pagava os índios mineiros com folhas de coca. Eles mantinham
a dependência e tinham mais ânimo para descer nas minas
de cobre e prata. Quando Pizarro destruiu o Império Inca
(atual Cuzco), essa prática terminou.
Na América do Norte, ingeria-se uma planta chamada peyote,
que contém um alcalóide estimulante conhecido como
mescalina. No Tirol, usavam substâncias contendo arsênico
com fins religiosos.
Na Europa do século XVI surgem drogas com cafeína
e esse é o ponto inicial da dopagem entre os povos mais civilizados
e entre os atletas. Em 1806, o aprendiz de farmacêutico Friedrich
Sertuner, alemão, isola o principal alcalóide do ópio
e lhe dá o nome de morfina em alusão a Morfeu.
Dez anos depois, ela já é usada em cavalos na Inglaterra.
Em 1865, na construção do Canal do Norte em Amsterdã,
os operários recebiam drogas que aumentavam o rendimento
no trabalho.
Na inauguração do Canal, houve uma prova de natação
e vários nadadores competiram usando drogas estimulantes.
Em 1879, na Corrida Ciclística dos Seis Dias, na França,
os franceses usavam misturas à base de cafeína, os
belgas usavam cubos de açúcar mergulhados em bebida
alcoólica ou éter (era conhecido desde o século
XII como anestésico, mas usado com fins recreativos na Inglaterra
em 1700) e alguns ciclistas usavam a nitroglicerina pelo seu efeito
vasodilatador coronariano.
Em 1886, já com o uso indiscriminado de estimulantes pelos
atletas, acontece a Corrida dos 600 Km entre Bordeaux e Paris e
nela se tem a primeira notícia de morte em atleta por uso
de estimulantes: morre o ciclista inglês Linton, que usou
uma mistura de cocaína com nitroglicerina. Por volta de 1900,
no boxe usavam-se tabletes de estriquinina misturados com conhaque
e cocaína. Nessa época, era comum a prática
de debilitar o adversário com drogas dopantes acondicionadas
em garrafas de água. É possível que mortes
tenham ocorrido por esse motivo.
Em 1919, o farmacêutico japonês Ogata sintetiza a anfetamina
e com isso cresce a dopagem esportiva, principalmente no ciclismo.
Durante a 2ª Guerra Mundial, de 1939 a 1945, os soldados recebiam
o medicamento Pervitin (uma anfetamina) nos seus "kits"de
sobrevivência. Seu efeito estimulante e a abolição
do sono eram úteis nas grandes marchas e nos vôos noturnos.
Depois, passaram a usa-lo também nos jogos do exército.
Então, terminada a guerra, muitos soldados estavam viciados
com esses comprimidos. Quando voltaram a seus países, muitos
deles continuaram suas práticas desportivas, principalmente
os jogadores de futebol americano. Estavam mais corajosos pelas
agruras da guerra e, além disso, jogavam dopados. Isso fez
disseminar o uso de anfetaminas entre os desportistas, prática
que existe até hoje, incorporada ao uso de outras substâncias
proibidas pelas leis esportivas.
Nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, são descritas
três mortes por uso de doping: Knut Enemark Jensen, um ciclista
da Dinamarca de 25 anos (quinze tabletes de anfetamina, mais oito
tabletes de um vasodilatador coronariano, misturados a uma garrafa
de café), Dirck Howard, alemão, medalha de bronze
nos 400m. (por dose excessiva de heroína) e Simpson, um corredor
inglês (também por um estimulante).
Até essa época, os métodos de detecção
da dopagem ainda eram muito simples. O primeiro método foi
desenvolvido pelo químico russo Bukowski que trabalhava no
Jóquei Clube da Áustria e analisava saliva dos cavalos.
Mas ele negava-se a revelar seu método. No mesmo ano, 1910,
Sigmundo Frankel químico da Universidade de Viena desenvolveu
um novo método, também trabalhando com saliva. Nas
décadas de 40 e 50, foram criados e desenvolvidos os métodos
da cromatografia gasosa e delgada que foram sendo aperfeiçoados
com o tempo, até serem substituídos pela moderna espectrofotometria
de massa que pode determinar na urina a presença e dosagem
da maioria das substâncias listadas como proibidas para os
atletas.
Já em 1955, a Federação Mundial de Ciclismo
iniciava trabalhos de análises de urina. Chegou ao ponto
de em uma só prova, obter cinco resultados positivos em vinte
e cinco amostras. Ela foi a primeira, porque em muitos países
da Europa o ciclismo é um esporte de massa e naquela época
os interesses comerciais de divulgação de marcas e
logotipos por parte dos ciclistas, era uma realidade.
Durante os J.O. de Tóquio em 1964 um congresso da UNESCO
conjuntamente com o COI iniciou o combate à dopagem, esboçando
leis, controles e punições. Seguiram-se simpósios
na Alemanha, Áustria, Itália e Suíça,
mas os países não reconheciam essas deliberações,
muitas vezes invocando razões até de uso de dopagem
por patriotismo. Desde 1965 e com periodicidade de três anos,
a Liga Ciclística da Bélgica passou a divulgar o resultado
de seus exames. De 25,59% em 1965, caiu para 8,16% em 1968 e para
4,78% em 1971, vindo a aumentar para 7,10% em 1974 provavelmente
pelo desenvolvimento das técnicas de cromatografia. A substância
mais encontrada foi a anfetamina e os exames positivos eram quase
todos de profissionais e de veteranos com mínimos percentuais
em principiantes.
Em 1968, durante os J.O. de Inverno em Grenoble, o COI forma uma
comissão de cinco médicos e um químico que
unificaram todas as deliberações e leis existentes.
Três meses antes dos J.O. do México essa primeira lei
foi enviada para todos os países participantes da Olimpíada,
mas o controle foi muito pequeno e sem qualquer punição.
Os países alegavam o pouco tempo entre a lei e os Jogos.
Muitos até ameaçaram não comparecer aos Jogos
e outros chegaram a manifestar intenção de abandonar
a Vila Olímpica.
A anfetamina e produtos assemelhados, que dominavam os casos positivos
passaram a ser substituídos paulatinamente pelos hormônios
masculinos, os chamados esteróides anabólicos com
poderes muito mais vitoriosos mas também com efeitos colaterais
mais desastrosos. Depois, os atletas começaram a usar diuréticos
para mascarar a presença dos hormônios e mais recentemente
os hormônios de crescimento, principalmente, ganharam destaque
na preferência dos atletas.
SURGIMENTO
DA PALAVRA DO DOPING
A origem do nome "doping" é incerta. Os árabes
o chamavam "cat", derivada
de cathine ou catina dos assírios, uma planta de propriedades
estimulantes.
Os italianos usaram palavras ou termos diversos, como "drogaggio",
"ergogenia medicamentosa", "melassanera" e "bombe
chimiche".Os americanos sempre preferiram falar em ergogenia.
Os franceses passaram do "topethe", para a "dynamite"até
chegar à "dopage".
No dialeto africano Kafir, já existia a palavra "dop"significando
uma infusão estimulante de plantas medicinais usada em festas
religiosas. No inglês encontra-se "dope"com o significado
de lubrificante ou verniz especial para aviões e o verbo
"to dope", vocábulo usado nas corridas de cavalo
para indicar a administração de drogas ao cavalo para
melhorar o seu rendimento. A palavra "doping" aparece
pela primeira vez, em um dicionário inglês no ano de
1889 significando uma mistura de narcóticos utilizada em
cavalos puros-sangue. Os antigos dicionários holandeses apresentam
"dooper" = batizar e "under dooper" = utilização
de drogas.
Os compêndios franceses falam em "duper" = trapaça,
pequena fraude. Talvez dessa palavra eles tenham tirado a "dopage"e
daí tenha vindo a dopagem e depois o doping dos americanos.
Nos J.O.do México em 1968, o COI definia complexamente a
dopagem. É a administração ou o uso de agentes
estranhos ao organismo ou de substâncias fisiológicas
em quantidade anormal, capazes de provocar no atleta, no momento
da competição, um comportamento anormal, positivo
ou negativo, sem correspondência com sua real capacidade orgânica
e funcional. Na verdade, o COI precisava definir a dopagem, mas
esbarrou de cara nessa definição complexa, embora
qualquer outra definição fosse muito difícil
para a época. Isso porque a definição deveria
envolver aspectos multiconceituais de farmacologia, toxicologia
e de clínica, não se esquecendo dos aspectos éticos,
educativos e de costumes regionais.
Conceitua-se como doping a substância, agente ou método
capaz de alterar o desempenho do atleta, a sua saúde e o
espírito do jogo, por ocasião de competição
desportiva ou fora dela.
Por dopagem se entende a administração ao atleta,
ou o uso por parte deste, de substância, agente ou método
capaz de alterar o desempenho do atleta, prejudicar a sua saúde
e coprometer o espírito do jogo, por ocasião de competição
desportiva ou fora dela.
Considera-se uma infração antidoping,além
da presença de uma substância proibida, ou seus metabolitos
ou marcadores na urina ou sangue de um atleta, o uso ou tentativa
de uso de uma substancia ou método proibido, a adulteração
ou tentativa de adulterar com qualquer parte do controle de doping,
a possessão ilegal de qualquer substancia ou método
proibido, e o tráfico de substancias ou métodos proibidos.
O controle de doping de que trata este manual tem como objetivo
detectar a administração ao atleta ou o uso por parte
deste, das substâncias ou métodos exemplificados neste
livro, e de acordo com a lista publicada anualmente no dia 1º.
de janeiro pela Agência Mundial Antidoping (AMA), respeitadas
as concentrações propostas.
Os fármacos ou métodos previstos no manual, quando
ministrados ao atleta ou por este usados mesmo que por motivo de
doença e por prescrição médica, serão
sempre considerados doping, a menos que o mesmo apresente uma isenção
para uso terapêutico (IUT) devidamente registrada e aprovada
na sua Confederação Nacional, Federação
Internacional, no Comitê Olímpico ou no Comitê
Paraolímpico Brasileiro
O atleta que apresentar em seus fluidos, quando submetido a um controle
de dopagem, uma substância ou um método proibido, sofrerá
as penalidades cominadas na resolução do Ministério
do Esporte, de acordo com o novo código de justiça
desportiva brasileira , sem prejuízo das penalidades aplicáveis
à associação ou entidade a que pertença
e às demais pessoas envolvidas no processo de dopagem.
OBS: O treinador ou treinadores, ou o médico ou os médicos
que induzirem um atleta ao uso de doping, serão igualmente
submetidos às penas de seu código de ética
através de seus Conselhos Federais.
O
DOPING TECNOLÓGICO
Este é um capítulo complexo que envolve todas as
formas de
dopagem que não sejam aquelas por substâncias proibidas
pelas regulamentações nacionais e internacionais.
Geralmente, envolvem recursos utilizados com o fim de levar vantagem
desonesta ou de acarretar extrema desvantagem ao adversário.
Aqui estão recursos tecnológicos, bioquímicos,
psicológicos e outras técnicas de trapaça à
ética desportiva. Não há uma classificação
ou uma relação do que é proibido. Mas toda
trapaça deliberada tem que ser punida severamente em nome
da ética desportiva. Em muitos casos, a comprovação
é difícil. Mas existem técnicas psicológicas
como a hipnose em que não há um consenso sobre se
lícita ou não.
EXEMPLOS ANTERIORES AO NOVO CÓDIGO MUNDIAL
1) Dopagem bioquímica - Autohemotransfusão.
Já foi um procedimento muito usado. Consiste em se retirar
de 0,5 a 1 litro de sangue, trinta dias antes da competição
e reinjetá-lo na véspera. Qualquer organismo fabrica
nesses trinta dias a quantidade de sangue que foi retirada. A devolução
do sangue à circulação significa que o atleta
irá competir com uma quantidade adicional de sangue e, portanto
de glóbulos vermelhos, em última análise de
oxigênio com conseqüente vantagem na capacidade aeróbica.
O sangue é guardado numa temperatura de 4o C e sua inoculação
é feita com um cateter porque ele fica muito denso. É
evidente o perigo de morte por embolia. Foi o que aconteceu com
Luck Derick em 1991. Ele era jogador de futebol do Bruges, da Bélgica
e o médico que realizou a autohemotransfusão havia
sido seu companheiro na mesma equipe. Esse caso, as dificuldades
de guarda do material, o risco de contaminação do
sangue, dentre outros fatores contribuíram para o abandono
dessa técnica.
2) Dopagem física - estimulação por
eletrodos - Esta é uma técnica que não se pode
provar que foi feita, mas aos atletas se recomenda que não
se submetam a ela. Consiste em colocação de eletrodos
nas inserções tendinosas de um músculo ou de
um grupo de músculos, seguida de impulsos elétricos
superiores a 50 volts. A violenta contração isométrica
que se segue permite hipertrofias musculares muito rapidamente,
mas o risco de ruturas musculares graves e principlamente tendinosas
é extremamente alto. Este método foi muito usado na
ex-União Soviética.
3) Fraudes tecnológicas - O esgrimista russo Boris
Onischenko, nos J.O. de 1972, usou um minúsculo engenho eletrônico
na empunhadura da sua espada, que marcava toques no seu adversário,
que não existiam. Foi expulso dos Jogos e punido por atitude
antiesportiva pela Federação Internacional de Esgrima.
Anos atrás, quando as corridas de automobilismo ainda não
tinham as rigorosas inspeções das máquinas
como hoje, sabe-se de casos em que as equipes usavam um reservatório
de água abaixo do chassis tornando o carro mais pesado e
dentro dos limites da pesagem. Dada a largada, o piloto acionava
um pequeno dispositivo e a água era expelida fazendo com
que o carro ficasse mais leve por todo o resto da prova.
4) Gestação programada - Esta manobra também
está abandonada, mas foi muito utilizada entre as décadas
de 60 e 80, mais difundida nos países do leste europeu. A
inoculação de espermatozóides era feita em
laboratório aproximadamente três meses antes da prova
principal, fazendo com que a atleta competisse no terceiro mês
de gestação, aproveitando-se do fato de que havia
um aumento da quantidade de glóbulos vermelhos. Depois da
competição era feito o aborto já programado.
O COI chegou a pensar em proibir a competição de mulheres
grávidas, mas recuou porque com isso estaria se intrometendo
na programação familiar em mulheres que não
tentavam com a gravidez obter vantagens esportivas.
5) Outras trapaças - Nos regimes comunistas era comum
em nadadores a inoculação de ar pelo ânus imediatamente
antes das provas para facilitar a flutuação na água.
Em muitos países não comunistas, esta trapaça
também foi usada e hoje é técnica abandonada,
pelo incômodo abdominal e pelas novas técnicas nos
treinamentos de natação.
Na década de 80, em competição de atletismo
na Costa Rica, uma menina acometida de hepatite foi substituída
por sua irmã gêmea que chegou em segundo lugar na prova.
Descoberta a fraude, foram suspensas de qualquer competição
por toda a vida, muito mais numa punição moral e educativa.
No futebol e no basquetebol, são vários os fatos
conhecidos de pequenos aumentos ou diminuições nas
dimensões entre as traves e nos aros. Na década de
80, em decisão do campeonato americano universitário,
o técnico local diminuiu em apenas um centímetro o
diâmetro de um dos aros, mudando suas táticas de arremesso
conforme atacava para este ou aquele aro. Venceu o jogo, depois
com resultado anulado pela Liga e recebeu uma suspensão perpétua
para trabalhar com o basquetebol.
6) Manipulação do material de coleta - Esta
é uma trapaça que tem sido combatida com muito rigor
por todas as entidades desportivas. A pena máxima de suspensão
tem sido aplicada. O que os atletas fazem com mais freqüência
é a adição à urina, de saliva, cerveja
e uísque. As alterações do pH são tão
evidentes que é fácil a identificação
da fraude. Sabe-se que muitos atletas usaram frascos plásticos
com urina de outra pessoa, presos na axila e um tubo plástico
chegava até o pênis onde era preso com uma fita transparente;
o atleta que informava sua incapacidade de micção,
esperava o cansaço ou o descuido do médico coletor
para através de uma simples manobra, ceder a urina que não
era sua. Pior ainda e de uma maneira antifisiológica muito
perigosa, o atleta urinava em seu vestiário e depois lhe
passavam um cateter pela uretra para receber urina de outra pessoa
e depois simular uma micção normal no ato de coleta.
Por isso, todas as deliberações atuais, solicitam
que as salas de coleta sejam amplas (para se evitar a troca de frascos
de coleta), que não se permita o ingresso na sala além
dos atletas e seus médicos e que os atletas estejam praticamente
nus no momento de ceder a urina.
|